Se for poesia...
venha, pois pior que estar só é estar ausente de ti.
Textos
E vou passando pelos anos
apreciando paisagens, sentindo novos aromas
não sabendo a extensão da minha estrada
vivendo novas emoções, não indiferente e
quase certo que o passado pode ser maior
e cheio de desejos para que seja ainda melhor o que virá
 
E noto a vida se alterando
num compasso desafinado com as estações
num tom desentoado com a melodia dos tempos
e já não é possível dançar sem desencontros
porque nesta toada a gente perde a harmonia
e, enrijecido, será sorte encontrar um par para seguir juntos
 
E percebo amizades e amores sendo relativizados
antigas convicções sendo pulverizadas
novos costumes chocando os mais velhos
fantasmas antigos assombrando nas esquinas
enquanto não conquistamos com as modernidades
o tempo livre com que sempre sonhamos
 
E começo a desacreditar daqueles que prometem
em nome de Deus, em nome da nação, em nome qualquer
é tudo de um vazio tão denso que se pode sentir o peso
não nas consciências, mas nos lombos dos frágeis de fé
que ficam encantados e esperançados
enquanto seguem sugados, explorados e esfarrapados
 
E penso como persistir no curso da existência
mantendo a sanidade e alguma motivação
senão pelo mergulho espiritual que a arte propicia
na música, na poesia, nas cores da minha paleta
que me trazem provocações e me fazem transcender
a ponto de querer conhecer o que virá após a próxima curva


 
* Poema publicado na Revista Travessias Literárias Nº 1
Jefferson Lima
Enviado por Jefferson Lima em 29/05/2020
Alterado em 02/07/2020
Copyright © 2020. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.
Comentários
Site do Escritor criado por Recanto das Letras