Se for poesia...
venha, pois pior que estar só é estar ausente de ti.
Textos
Ela tinha os cabelos castanhos e encaracolados,
os olhos eram da cor de mel
e falava com um chiado bonitinho
 
E como gostava de rir...
 
Não me lembro sobre o quê conversávamos,
nem o porquê de tantas gargalhadas,
mas gostávamos de estar juntos
 
E isto era tudo...
 
Na primeira metade dos anos 80
havia uma inocência feliz e infantil,
comum às crianças daqueles dias
 
Sem smartphones,
sem redes sociais,
sem canais de tv por assinatura...
 
Sem fichários,
sem tênis de led,
sem mochilas de rodinha...
 
Para conversar e desviar a atenção
das aulas da segunda série,
bastava cutucá-la com um lápis
 
Brigamos...
 
Culpa de um pastel português delicioso
que deveria ter sido parte da surpresa para
dona Carmen, a professora da terceira série
 
Hoje aquela garotinha me achou nas redes sociais,
mais de três décadas retrocederam
nas memórias e nas emoções

Me contou que é historiadora...
Revelei que sou poeta...
 
Ela ainda fala com um chiado...
Eu ainda dou gargalhadas escandalosas...


 
Para Míriam Lúcia
(Imagem: acolhida.org,br)
Jefferson Lima
Enviado por Jefferson Lima em 22/03/2020
Alterado em 22/03/2020
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