alma e poesia
poetas...
vivem sempre a começar
basta-lhes o afago de um beijo
um voo de pássaro, o planar da folha ao vento
ou o confidenciar do silêncio
para que se inflame a chama d’alma
chama que permanece acesa em compêndio
se escritos forem os versos que fingiam
estar adormecidos n’alma
e ao menor sinal de inspiração vinda de qualquer lado
se abre com firmeza e retidão
alma...
às vezes é festa, outras, desilusão
sem amor, encontra na solidão a melodia que afaga
poética, inspira-se e existe para além da nossa vontade
impossível dominá-la com nossa razão
pois não nos pertence
a alma nasce de desejos eternos…
da eternidade por vezes se materializa
alma nossa, íntima sombra do ser
que assume nossos passos, atos, desacatos
tangível em sentimentos, mas inatingível como presa
notável sumo de supremo poder
essência...
bússola que traça caminhos
por terras desertas e solidão povoada
aplacando suas inquietudes na escrita do poeta
exagerando, rimando, cantando as músicas da eternidade!